criathuras
26 Agosto 2006
  semelhanças
¨
massas de cores simples que enformam coisas e
criam a impressão de algo reconhecível,
semelhante a algo conhecido mas diferente.
quase nas extremidades do século,
um lá e outro cá, ambos a espera da gente,
um na tela e o outro solto no espaço,
um contemplativo e o outro complementativo
um Cezanne e o outro Oiticica.


Paul Cezanne, Mont-Sainte Victoire, 1900
 
  Parangolé meu irmão, parangolé!!!!

Um poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia
Resplandente, cadente, fagueira num calor girassol com alegria
Na geléia geral brasileira que o Jornal do Brasil anuncia
Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, meu boi

A alegria é a prova dos nove e a tristeza é teu porto seguro
Minha terra é onde o sol é mais limpo e Mangueira é onde o samba é mais puro
Tumbadora na selva-selvagem, Pindorama, país do futuro
Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, meu boi

É a mesma dança na sala, no Canecão, na TV
E quem não dança não fala, assiste a tudo e se cala
Não vê no meio da sala as relíquias do Brasil:
Doce mulata malvada, um LP de Sinatra, maracujá, mês de abril
Santo barroco baiano, superpoder de paisano, formiplac e céu de anil
Três destaques da Portela, carne-seca na janela, alguém que chora por mim
Um carnaval de verdade, hospitaleira amizade, brutalidade jardim
Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, meu boi

Plurialva, contente e brejeira miss linda Brasil diz "bom dia"
E outra moça também, Carolina, da janela examina a folia
Salve o lindo pendão dos seus olhos e a saúde que o olhar irradia
Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, meu boi

Um poeta desfolha a bandeira e eu me sinto melhor colorido
Pego um jato, viajo, arrebento com o roteiro do sexto sentido
Voz do morro, pilão de concreto tropicália, bananas ao vento
Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, meu boi

(Geléia Geral - Gilberto Gil e Torquato Neto)

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Imagem: O Parangolé,
escultura móvel criada pelo artista plástico Hélio Oiticica, anos 1960.
(leia artigo
"Pedagogia do parangolé" no site da UERJ)
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  Xilo e canção
De repente, juntar xilo com poesia dá cordel.
se misturar melodia, dá repente.

clique na imagem e veja que projeto interessante
que embola tradição popular com recurso multimídia
 
com entendimento de que cultura é todo tipo de produção humana ligada à sua sociedade, este espaço pretende debater e refletir sobre manifestações culturais nas diversas áreas do conhecimento determinadas pelo interesse e conhecimento de seus usuários. criathuras - coletivo renovador ideológico das atitudes humanas responsáveis, apartidárias e sociais - é um espaço aberto ao bom-senso, ao respeito e à responsabilidade dos atos.

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